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Ler e Refletir - Escola Construir

 

Ninguém vive sozinho

Por Daniela Tófoli e Fernanda Carpegiani
Fonte: Revista Crescer

Fazer as crianças entenderem que precisamos nos relacionar com pessoas diferentes e seguir regras sociais é um desafio, já que vivemos uma era tão individualista e com famílias cada vez menores. Daí a missão dos pais em mostrar, dando o exemplo, qual o verdadeiro valor de uma amizade

Ubuntu. Bastou uma Copa do Mundo na África do Sul para a gente descobrir uma palavra que parece resumir tudo o que buscamos ensinar aos nossos filhos para que sejam mais felizes e construam um mundo melhor. Tão africana e tão difícil de traduzir, “ubuntu” significa irmandade, compaixão, solidariedade, amizade. Ou, como explicou o bispo sul-africano Desmond Tutu, Nobel da Paz: a essência do ser humano. “Você não pode viver isoladamente, você não pode ser humano se é só”, resumiu. Nosso desafio é conseguir ensinar às crianças, em uma sociedade cada vez mais individualista, que ninguém vive sozinho. Mais do que isso, como diz a música, precisamos mostrar que “é impossível ser feliz sozinho”. E aqui não estamos falando de uma vida cor-de-rosa, de finais felizes ou de comunidades hippies. Estamos tratando de sobrevivência pura, estamos falando de saúde.

Parece estranho? Você vai ver como não é: “A saúde é um conjunto de bem-estar ‘biopsicossocial’, então não é possível promover saúde sem afeto e sem empatia, que estão intimamente relacionados às interações sociais. Mais do que ensinar que ninguém vive sozinho, é preciso admitir que é impossível ser feliz na solidão”, afirmam a neuropediatra Lara Cristina dos Santos e a neuropsicóloga Maria Dalva Lourenceti, ambas do Ambulatório de Desvios da Aprendizagem da Unesp de Botucatu (SP). Nem nas histórias infantis, para ficarmos em um assunto que as crianças adoram, heróis e mocinhas conseguem vencer suas batalhas sozinhos. Chapeuzinho Vermelho tem a ajuda do lenhador. Batman, do Robin. Branca de Neve, dos Sete Anões...

A questão é como estimular essas interações sociais. Segundo especialistas, pesquisas e livros consultados pela CRESCER, há vários caminhos possíveis, mas existe um que é infalível: o exemplo dos pais. É nossa missão mostrar o valor de uma amizade, de que forma se exercita a solidariedade (e não é só doar roupas que não usamos mais, mas também deixar um carro entrar na frente no meio do congestionamento, por exemplo) e como precisamos, todos os dias, da ajuda uns dos outros. Ninguém consegue viver sem que o motorista de caminhão trabalhe, porque os alimentos não chegariam a nós, sem que os lixeiros recolham os entulhos, porque a sujeira tomaria conta de tudo... Por mais “invisíveis” que algumas relações possam ser, dependemos delas para viver.

Quando uma criança convive com o outro, ela experimenta sentimentos e pensamentos que contribuem para a formação do seu caráter, da sua moral e do seu senso de justiça, explicam as especialistas da Unesp. “Assim, os pais são, ou pelo menos deveriam ser, os primeiros facilitadores do processo de convivência, mediante interações saudáveis, vínculos positivos e modelos adequados. Não adianta falar para a criança uma coisa e agir contrariamente.” Cabe a nós, ainda, ensinar as regras da vida em sociedade e dizer o que é certo e o que é errado. Segundo estudo norte-americano de 2006, que examinou dezenas de pesquisas sobre como as crianças se relacionam com os amigos, vários dos comportamentos infantis são influenciados diretamente pelo modo de agir dos pais. Quando os pais ensinam o que é permitido fazer (e seguem seus ensinamentos, claro!) e estimulam a empatia, os filhos têm maior tendência a levar os sentimentos dos amigos em consideração e conseguem construir vínculos sociais mais sólidos.

Claro que as crianças já nascem com traços de personalidade definidos e uma menina introvertida jamais será a miss simpatia da escola, ainda que seus pais sejam as pessoas mais sociáveis do mundo. O que acontece é que, quando elas veem o exemplo dos pais, sentem-se mais encorajadas a repetir o comportamento. Só é preciso ter cuidado para que não sejam estabelecidos apenas relacionamentos superficiais. Aprofundar o vínculo com um amigo é tão gostoso – e importante – quanto fazer uma nova amizade. Outra preocupação, lembram os especialistas, é com a perda da individualidade. Às vezes uma criança quer tanto ser aceita pelo grupo que se torna uma maria vai com as outras e deixa de ter opinião, gostos e sonhos próprios.

Manter as características de cada integrante é um desafio no grupo musical Pequeno Cidadão. Com oito adultos e dez crianças no palco, a produção se vira para respeitar a personalidade de cada um. Os figurinos, por exemplo, levam em conta o gosto de todas as crianças. Taciana Barros, mãe de Daniel e Luzia, que teve a ideia de formar o grupo com Arnaldo Antunes, Edgard Scandurra e Antônio Pinto, lembra que é preciso respeitar também os momentos de reclusão de cada um. Não é porque eles estão em uma turma grande que não têm direito à solidão. “É importante saber curtir os momentos individuais e equilibrá-los com os momentos em grupo. Às vezes é preciso estar só pra compor, refletir, pensar... Em outras horas, a parceria é fundamental e acrescenta muito.”

 

 

ALFABETIZAÇÃO NO TEMPO CERTO

 

AS CONTRIBUIÇÕES DA PSICOMOTRICIDADE PARA O LETRAMENTO E PARA A ALFABETIZAÇÃO

 

O que acontece em nosso corpo quando escrevemos?.

 

Para escrever realizamos o movimento de vários osso, sendo cinco palmares, oito do punho, alguns tendões e diversos músculos do braço. Tudo isso amparado por ombros e a coluna vertebral.

 

Grafar é uma atividade motora, seja traçando letras, manuseando letras móveis, digitando no teclado do computador ou também usando lápis, caneta, borracha, tesoura, cola, etc. Por isso, é necessário propiciar experiências para o desenvolvimento de competências motoras.

 

As habilidades motoras precisam ser aprendidas e, na maioria das vezes treinadas. A aquisição de habilidades específicas para escrever requer destreza motora e conhecimento da cultura escrita.

 

A coordenação motora e as diferentes formas de expressão

 

É fundamental que a criança vivencie a sua mobilidade, desfrutando da sua linguagem corporal e capacidade motora, através de brincadeiras, jogos,danças, desenhos, modelagem, atividades esportivas, demonstrações de afeto, reproduções e imitações comportamentais, etc.

 

Muitas vezes, associado ao movimento infantil encontra-se a linguagem musical  e as artes visuais, presente em todas as culturas, nas mais diversas situações, integrando aspectos lúdicos, afetivos, estéticos e cognitivos e contemplando aspectos motores.

 

As artes visuais expressam e comunicam sentimentos e idéias através do traço, cor, forma, espaço e volume em produções de desenho, escultura, brinquedos, pintura, bordados, entre outros. Em muitas propostas pedagógicas as artes visuais foram compreendidas como meros passatempos, não sendo valorizadas como atividades importantes para o desenvolvimento da coordenação motora.

 

Muitas brincadeiras do universo infantil envolvem música, possibilitando as crianças expressarem emoções, desenvolvimento da atenção e da concentração, ritmo e controle motor. Habilidades imprescindíveis no processo da aquisição da leitura e da escrita.

 

Em síntese, o processo de alfabetização precisa ser transformado em um jogo enriquecido com atividades corporais, expressão gráfica e plástica por meio de desenhos e pinturas, expressão oral em rodas de conversas, registros escritos, entre outros. Quantos mais estímulos estiverem presentes, mais significativa será a aprendizagem e mais sólidos o conhecimento e a assimilação dos conceitos pelos alunos. É aconselhável que a alfabetização aconteça a partir do corpo, dos gestos, do que está próximo da realidade da criança, do que é palpável.

 

Assim , aprender a linguagem oral e escrita é ampliar as possibilidades de participação nas práticas sociais, nos significados culturais pelos quais se interpretas e representa a realidade, através do desenvolvimento de quatro competências básicas: falar, escutar, ler e escrever.

 

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, o movimento, para a criança, significa muito mais do que mexer partes do corpo ou deslocar-se no espaço. A criança se expressa e se comunica por meio de muitos gestos e das mímicas faciais e interage utilizando fortemente o apoio do corpo. A dimensão corporal integra-se ao conjunto da atividade da criança. O ato motor faz-se presente em suas funções expressiva, instrumental ou de sustentação às posturas e aos gestos.

 

Assim devemos ressaltar que aprender é um ato psicomotor, embora, muitas vezes, separemos o corpo da mente, da mesma forma que separamos o que é cognitivo do que é psicomotor. Como diz  Wallon, o ato mental e o ato motor são indissociáveis.

 

Referências:

 

Guia do Alfabetizador - Governo do Estado de Minas Gerais

Construindo um Novo Tempo

Belo Horizonte, 2008

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